﻿{"id":7712,"date":"2020-01-22T12:09:25","date_gmt":"2020-01-22T15:09:25","guid":{"rendered":"http:\/\/orisabrasil.com.br\/Loja\/?p=7712"},"modified":"2020-01-23T12:18:09","modified_gmt":"2020-01-23T15:18:09","slug":"maria-alice-na-luta-para-a-salvaguarda-do-patrimonio-do-povo-de-orixa-a-pedra-de-xango","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/orisabrasil.com.br\/Loja\/maria-alice-na-luta-para-a-salvaguarda-do-patrimonio-do-povo-de-orixa-a-pedra-de-xango\/","title":{"rendered":"Dra. Maria Alice na luta para a salvaguarda de um patrim\u00f4nio do povo de Orix\u00e1 : A pedra de Xang\u00f4"},"content":{"rendered":"<p>OrisaBrasil\u00a0 conversou com a Dra Maria Alice que est\u00e1 a frente de um movimento para salvaguardar a pedra de Xang\u00f4 na cidade de Salvador.<\/p>\n<p>&#8220;A Pedra de Xang\u00f4 \u00e9 um patrim\u00f4nio cultural, geol\u00f3gico, simb\u00f3lico, m\u00edtico da cidade de Salvador \u2013 Bahia.<br \/>\nSalvador \u00e9 uma das cidades mais desiguais do pa\u00eds. Heran\u00e7a da coloniza\u00e7\u00e3o, a sua organiza\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-espacial sempre foi pensada para excluir os menos favorecidos e esta l\u00f3gica perdura at\u00e9 os dias atuais. Outrora, os quilombos constitu\u00edam-se em uma alternativa para a popula\u00e7\u00e3o negra escravizada. Na contemporaneidade, a periferia (o chamado miolo, sub\u00farbio e \u00e1rea norte) \u00e9 onde se concentra a maioria dos bairros pobres, formados por um n\u00famero expressivo de afrodescendentes. A aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas &#8211; infraestrutura, saneamento b\u00e1sico, seguran\u00e7a p\u00fablica, sistema de sa\u00fade, sistema educacional, espa\u00e7os de cultura e lazer direcionadas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra consolida e aprofunda a segrega\u00e7\u00e3o \u00e9tnica- racial na cidade.<\/p>\n<p>\u00c9 considerada a cidade mais negra fora da \u00c1frica, a matriarca Roma Negra que \u201ccanta\u201d os seus terreiros de candombl\u00e9, a capoeira, os afox\u00e9s, os blocos afros, as baianas e o seu rico patrim\u00f4nio cultural afro-brasileiro. Mas, esta \u00e9 a mesma cidade que ao longo da sua exist\u00eancia sempre produziu um dos mais segregadores e racistas planos diretores das capitais brasileiras. Os governos municipal e estadual, atrav\u00e9s dos \u00f3rg\u00e3os de turismo, propiciam condi\u00e7\u00f5es para que o rico patrim\u00f4nio cultural afro-brasileiro seja agenciado e apropriado pela ind\u00fastria cultural, a ind\u00fastria do ax\u00e9, a ind\u00fastria do turismo, notadamente do turismo \u00e9tnico. Com isso, transformam o povo negro da cidade em algo ex\u00f3tico, pitoresco, um fetiche, uma mercadoria, sem garantir a prote\u00e7\u00e3o dos seus s\u00edmbolos sagrados.<\/p>\n<p>A proposta de cria\u00e7\u00e3o das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o desenvolveu-se no \u00e2mbito de uma pesquisa acad\u00eamica onde a preocupa\u00e7\u00e3o com: o sagrado, o patrim\u00f4nio cultural, o lugar, o meio ambiente, as rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnicas-social foram determinantes nas tomadas de decis\u00f5es. A cartografia da APA Municipal Vale do Assis Valente e do Parque em Rede Pedra de Xang\u00f4 buscou garantir no PDDU (2016) uma parcela dos direitos secularmente negados a popula\u00e7\u00e3o negra: o direito \u00e0 cidade. Encaminhada \u00e0 C\u00e2mara de Vereadores, atrav\u00e9s de emenda parlamentar, a proposta viabilizou a cria\u00e7\u00e3o de instrumentos legais de prote\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o da Pedra de Xang\u00f4 localizada em \u00e1rea considerada remanescente de quilombos, morada dos \u00edndios tupinamb\u00e1s, morada dos deuses, orix\u00e1s, voduns inquices e encantados.&#8221; (Site Pedra de Xang\u00f4)<\/p>\n<p><strong>1 \u2013 Quem \u00e9 Maria Alice Pereira da Silva?<\/strong><\/p>\n<p>Advogada, Mestra e doutoranda em Arquitetura e Urbanismo pela UFBA, membro do Grupo de Pesquisa EtniCidades FAU \u2013UFBA, professora da Resid\u00eancia em Arquitetura e Urbanismo \u2013 Especializa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia., ex- Secret\u00e1ria Municipal da Repara\u00e7\u00e3o da Cidade de Salvador, primeira presidente da Comiss\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa dos Direitos dos Afrodescendentes &#8211; OAB\/BA, s\u00f3cia efetiva do IGHB (Instituto Geogr\u00e1fico e Hist\u00f3rico da Bahia) e membro do IAB (Instituto dos Advogados da Bahia). Estudiosa das quest\u00f5es afro-brasileiras. Atua na \u00e1rea de direitos humanos, inclus\u00e3o social e pol\u00edticas p\u00fablicas. Autora do livro \u201cPedra de Xang\u00f4: um lugar sagrado afro-brasileiro na cidade de Salvador\u201d. Edita o site www.pedradexango.com.br.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/orisabrasil.com.br\/Loja\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/0faf0262-bd0f-4dd6-97b9-30561630893f.jpg\"><img class=\"alignleft size-full wp-image-7716\" src=\"http:\/\/orisabrasil.com.br\/Loja\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/0faf0262-bd0f-4dd6-97b9-30561630893f.jpg\" alt=\"\" width=\"853\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/orisabrasil.com.br\/Loja\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/0faf0262-bd0f-4dd6-97b9-30561630893f.jpg 853w, https:\/\/orisabrasil.com.br\/Loja\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/0faf0262-bd0f-4dd6-97b9-30561630893f-200x300.jpg 200w, https:\/\/orisabrasil.com.br\/Loja\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/0faf0262-bd0f-4dd6-97b9-30561630893f-768x1152.jpg 768w, https:\/\/orisabrasil.com.br\/Loja\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/0faf0262-bd0f-4dd6-97b9-30561630893f-682x1024.jpg 682w, https:\/\/orisabrasil.com.br\/Loja\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/0faf0262-bd0f-4dd6-97b9-30561630893f-600x900.jpg 600w, https:\/\/orisabrasil.com.br\/Loja\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/0faf0262-bd0f-4dd6-97b9-30561630893f-750x1125.jpg 750w\" sizes=\"(max-width: 853px) 100vw, 853px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>2 \u2013 Voc\u00ea poderia falar um pouco sobre a Pedra de Xang\u00f4 em Cajazeiras \u2013 Salvador \u2013 <\/strong><strong>Bahia?<\/strong><\/p>\n<p>A Pedra de Xang\u00f4 possui mais de 2 bilh\u00f5es de anos, \u00e9 uma \u00e1rea considerada remanescentes de quilombos, morada dos \u00edndios tupinamb\u00e1s, dos orix\u00e1s, inquices, voduns, caboclos e encantados. \u00c9 um lugar sagrado, encruzilhada religiosa, comunit\u00e1ria me pol\u00edtica do povo de candombl\u00e9, centro de converg\u00eancia de diversos rituais privados, semi-p\u00fablicos e p\u00fablicos de uma infinidade de terreiros que se comunicam e se conectam em redes.<\/p>\n<p><strong>3 \u2013 Qual o seu interesse com o tema?<\/strong><\/p>\n<p>A Pedra de Xang\u00f4 foi o tema da minha disserta\u00e7\u00e3o junto ao Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia. A pesquisa foi defendida em mar\u00e7o de 2017 e contribuiu para a cria\u00e7\u00e3o junto ao Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano da cidade de Salvador (2016) do Parque em Rede Pedra de Xang\u00f4 e da APA Municipal Vale do Assis Valente; o tombamento da Pedra de Xang\u00f4 como patrim\u00f4nio cultural da cidade de Salvador (2017) pela Funda\u00e7\u00e3o Greg\u00f3rio de Mattos (FGM); o reconhecimento como patrim\u00f4nio geol\u00f3gico de relev\u00e2ncia nacional (2018) pelo Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil (CPRM); Em 2019 foi publicado o livro de minha autoria Pedra de Xang\u00f4: um lugar sagrado afro-brasileiro na cidade de Salvador.<\/p>\n<p><strong>4 \u2013 O que te impulsionou a estudar a Pedra de Xang\u00f4?<\/strong><\/p>\n<p>Desde 2005, o povo de terreiro de Salvador lutava em defesa do tombamento da Pedra de Xang\u00f4, sem contudo lograr \u00eaxito. Enquanto advogada, entendia que o pleito preenchia todos os requisitos legais, todavia n\u00e3o existia nenhum estudo etnogr\u00e1fico que pudesse subsidiar a salvaguarda do bem cultural. Ent\u00e3o resolvi me debru\u00e7ar sobre o assunto e um dos meus primeiros estudos foi tentar entender a import\u00e2ncia do elemento pedra na cosmovis\u00e3o africana.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/scontent.fcgh17-1.fna.fbcdn.net\/v\/t1.0-9\/75610755_488175928436755_8961651276890767360_n.jpg?_nc_cat=104&amp;_nc_ohc=uNMDRbYgxpkAX9_RWEp&amp;_nc_ht=scontent.fcgh17-1.fna&amp;oh=aa61674c070f9be1dd45221e2644ef04&amp;oe=5E97AC70\" alt=\"A imagem pode conter: nuvem, c\u00e9u, montanha, atividades ao ar livre e natureza\" \/><\/p>\n<p><strong>5 &#8211; Como surgiu a interlocu\u00e7\u00e3o com a cidade de Oy\u00f3?<\/strong><\/p>\n<p>Em meados de 2014, o povo de terreiro de Salvador estava organizando um semin\u00e1rio, a se realizar no dia 06 de agosto com a finalidade de apresentar a Pedra de Xang\u00f4 a sociedade soteropolitana e mostrar a import\u00e2ncia do seu tombamento. Neste \u00ednterim o povo de terreiro, recebeu a not\u00edcia que o Alaafin de Oy\u00f3 e sua comitiva estar\u00eda de 28 a 31 de julho em Salvador para participar do primeiro semin\u00e1rio compartilhado entre o Brasil e a Nig\u00e9ria.<\/p>\n<p>Um dos objetivos do evento era buscar apoio para a inclus\u00e3o da cidade de Oy\u00f3 na lista do patrim\u00f4nio da humanidade da UNESCO. O povo de terreiro ficou muito feliz com o an\u00fancio. A visita do Alaafin de Oy\u00f3, Ob\u00e1 Lamidi Olayiwola Adeyemi III foi o b\u00e1lsamo e muito contribuiu para o reconhecimento da Pedra de Xang\u00f4 como patrim\u00f4nio cultural em 2017.<\/p>\n<p>Hoje, sentimo-nos na obriga\u00e7\u00e3o de retribuir esse apoio lan\u00e7ando um abaixo assinado on-line pelo conhecimento da cidade de Oy\u00f3. Tudo isso para demonstrar a import\u00e2ncia do fen\u00f4meno diasp\u00f3rico, de que forma ocorrem as media\u00e7\u00f5es culturais, quais os la\u00e7os e trocas de solidariedades.<\/p>\n<p><strong>6 \u2013 Que mensagem voc\u00ea nos deixa?<\/strong><\/p>\n<p>A visita do Alaafin de Oy\u00f3 \u00e9 tema de um sub-cap\u00edtulo do livro \u201cPedra de Xang\u00f4: um lugar sagrado afro-brasileiro na cidade de Salvador\u201d e eu concluo essa entrevista com esse pequeno texto constante no livro: \u201c\u00c9 a Pedra de Xang\u00f4 se colocando em uma das encruzilhadas do mundo transatl\u00e2ntico &#8211; lugar da converg\u00eancia entre Brasil x \u00c1frica, Bahia e Benin, Salvador e Oy\u00f3 na luta do povo de santo pelo tombamento municipal da pedra e o reconhecimento da cidade de Oy\u00f3 como patrim\u00f4nio cultural pela UNESCO.<\/p>\n<p>Um busca apoio, for\u00e7a e refer\u00eancia no outro, como estrat\u00e9gia de fortalecimento dos seus pleitos\u201d (SILVA, 2019, p.135). Pedra de Xang\u00f4 \u00e9 enredo, \u00e9 rede, # todosporoy\u00f3.<\/p>\n<p>Que saber mais sobre o projeto? visite o site: <a href=\"http:\/\/www.pedradexango.com.br\/\" class=\"broken_link\">http:\/\/www.pedradexango.com.br\/<\/a> \u00a0o Instagram @pedra.de.xango<\/p>\n<p>Quer ajudar na salvaguarda de Oyo? Assine o abaixo assinado: <a href=\"https:\/\/www.abaixoassinado.org\/abaixoassinados\/48774\">https:\/\/www.abaixoassinado.org\/abaixoassinados\/48774<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pedra de Xang\u00f4 j\u00e1 sofreu com vandalismo: <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/bahia\/noticia\/2014\/11\/pedra-sagrada-do-candomble-na-ba-e-pichada-e-oferendas-sao-destruidas.html\">http:\/\/g1.globo.com\/bahia\/noticia\/2014\/11\/pedra-sagrada-do-candomble-na-ba-e-pichada-e-oferendas-sao-destruidas.html<\/a><\/p>\n<blockquote class=\"embedly-card\" data-card-controls=\"1\" data-card-align=\"center\" data-card-theme=\"light\">\n<h4><a href=\"https:\/\/falacajazeiras.com.br\/intolerancia-religiosa-pedra-de-xango-e-alvo-de-vandalismo\/\">Carregando<\/a><\/h4>\n<p>No Description<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><script async src=\"\/\/cdn.embedly.com\/widgets\/platform.js\" charset=\"UTF-8\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OrisaBrasil\u00a0 conversou com a Dra Maria Alice que est\u00e1 a frente de um movimento para salvaguardar a pedra de Xang\u00f4 na cidade de Salvador. &#8220;A Pedra de Xang\u00f4 \u00e9 um patrim\u00f4nio cultural, geol\u00f3gico, simb\u00f3lico, m\u00edtico da cidade de Salvador \u2013 Bahia. 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