﻿{"id":8853,"date":"2020-12-06T12:10:15","date_gmt":"2020-12-06T15:10:15","guid":{"rendered":"http:\/\/orisabrasil.com.br\/Loja\/?p=8853"},"modified":"2020-12-06T13:04:37","modified_gmt":"2020-12-06T16:04:37","slug":"a-comida-de-orisa-por-flavio-de-paula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/orisabrasil.com.br\/Loja\/a-comida-de-orisa-por-flavio-de-paula\/","title":{"rendered":"A comida"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">No candombl\u00e9, tudo o que fazemos est\u00e1 ligado ao alimento, seja alimento para a alma, seja alimento para o corpo. Mas sempre estamos alimentando.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Nas vezes em que estive em Oyo, percebi muito o sentido de comunidade, de alimentar a comunidade, independentemente de sua cren\u00e7a ou status social. Se eu tenho comida, meu vizinho n\u00e3o passar\u00e1 fome.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><img class=\"alignleft size-full wp-image-8854\" src=\"http:\/\/orisabrasil.com.br\/Loja\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/47d03ca3-8696-4ce7-9aa3-8f87a5153174.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"595\" srcset=\"https:\/\/orisabrasil.com.br\/Loja\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/47d03ca3-8696-4ce7-9aa3-8f87a5153174.jpg 1280w, https:\/\/orisabrasil.com.br\/Loja\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/47d03ca3-8696-4ce7-9aa3-8f87a5153174-300x139.jpg 300w, https:\/\/orisabrasil.com.br\/Loja\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/47d03ca3-8696-4ce7-9aa3-8f87a5153174-768x357.jpg 768w, https:\/\/orisabrasil.com.br\/Loja\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/47d03ca3-8696-4ce7-9aa3-8f87a5153174-1024x476.jpg 1024w, https:\/\/orisabrasil.com.br\/Loja\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/47d03ca3-8696-4ce7-9aa3-8f87a5153174-600x279.jpg 600w, https:\/\/orisabrasil.com.br\/Loja\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/47d03ca3-8696-4ce7-9aa3-8f87a5153174-750x349.jpg 750w, https:\/\/orisabrasil.com.br\/Loja\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/47d03ca3-8696-4ce7-9aa3-8f87a5153174-1140x530.jpg 1140w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/>Aqui no Brasil, nas comunidades que conhe\u00e7o, tamb\u00e9m o alimento \u00e9 ofertado e dividido entre todos os presentes nas festas e comemora\u00e7\u00f5es. Por menor que seja, sempre ter\u00e1 algo para comer e dividir entre os presentes. Portanto, as casas de candombl\u00e9 costumam fazer comida simples e substanciosa, que \u00e9 para matar a fome dos que precisam e dividir com quem chegar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">N\u00e3o se elabora um card\u00e1pio pensando nos visitantes. Primeiro se pensa no Orix\u00e1, no que ser\u00e1 servido ao Orix\u00e1. Depois se pensa no que iremos preparar, com o restante, para os visitantes, sempre pensando que n\u00e3o ser\u00e3o poucos, portanto, tem que sobrar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Conversando com um amigo nigeriano sobre Xang\u00f4, ele me disse que o orix\u00e1 do trov\u00e3o tem sua predile\u00e7\u00e3o por amal\u00e1 e gbegiri, mas podemos oferecer quase tudo pra ele. Numa ocasi\u00e3o, ofertamos um porco para Xang\u00f4, coisa que aqui no Brasil, seria um sacril\u00e9gio. Em Oyo, na Nig\u00e9ria, n\u00e3o se oferta, de forma alguma, ewedu para Xang\u00f4, pois ele odeia essa iguaria. Eu at\u00e9 achei que ele gostava, pois comemos muito amal\u00e1 com ewedu por l\u00e1 e eu logo assimilei a baba das folhas com a baba do quiabo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">H\u00e1 algumas diferen\u00e7as entre Oyo e Brasil, por exemplo, em Oyo, o amal\u00e1 \u00e9 feito de farinha de inhame, no Brasil, a base de nosso amal\u00e1 \u00e9 o quiabo &#8211; algo que n\u00e3o se tem o costume de oferecer a Xang\u00f4 em Oyo, a n\u00e3o ser que se queira pedir filhos, pois o quiabo somente \u00e9 oferecido a Xang\u00f4 quando a pessoa quer crian\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">No Brasil, assim como em Oyo, que \u00e9 o local que conhe\u00e7o, o culto ao orix\u00e1 \u00e9 feito por pessoas em sua maioria humildes, portanto, a comida \u00e9 parte primordial desse culto. Muitas casas de candombl\u00e9, devido \u00e0 predomin\u00e2ncia de adeptos de pele branca e maior poder aquisitivo, est\u00e3o alterando o card\u00e1pio dos orix\u00e1s para um card\u00e1pio com op\u00e7\u00e3o para os frequentadores veganos, outro para os que controlam as calorias a serem consumidas e, muitas vezes, se desfazendo das partes dos animais que seriam destinadas \u00e0 divis\u00e3o\/alimenta\u00e7\u00e3o da comunidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">A comida sempre foi muito importante nas comunidades, n\u00e3o s\u00f3 como alimento, mas como comunh\u00e3o entres os indiv\u00edduos e o sagrado. Por ser o momento em que compartilham o alimento com o orix\u00e1, portanto, n\u00e3o faz sentido oferecer \u00e0 comunidade alimentos que n\u00e3o foram ofertados ao orix\u00e1. Precisamos comer fisicamente e comer espiritualmente, comer emblematicamente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Citando Raul Lody:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cTodos os sentidos s\u00e3o chamados para comer. Todos os c\u00f3digos visuais, t\u00e9rmicos e olfativos funcionam diante da rela\u00e7\u00e3o homem\/comida. Come-se por inteiro, com o corpo, com a \u00e9tica, com a moral, com todos os c\u00f3digos pr\u00f3prios do grupo e do estatuto social de que o indiv\u00edduo faz parte. E, assim, a comida intera-se, estabelece-se nas rela\u00e7\u00f5es mais profundas entre o homem e a cultura.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u201cNos terreiros a comida ganha dimens\u00e3o valorativa, sendo entendido o alimento do corpo e tamb\u00e9m do esp\u00edrito. Comer, nos terreiros, \u00e9 estabelecer v\u00ednculos e processos de comunica\u00e7\u00e3o entre homens, deuses, antepassados e natureza.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Num terreiro, tudo come: o ch\u00e3o, a cumeeira, os atabaques, as portas etc. E tudo o que os humanos comem foi compartilhado com os orix\u00e1s que j\u00e1 comeram, portanto, n\u00e3o vejo nenhum sentido em se fazer uma comida para os humanos usando ingredientes que n\u00e3o foram, antes, ofertados para os orix\u00e1.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">*Esse texto foi escrito com base em minhas experi\u00eancias pessoais, n\u00e3o generalizando o candombl\u00e9 do Brasil.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Autor: Fl\u00e1vio de Paula<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt;\">Revis\u00e3o: Adriana Marino e Renata Barcelos<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No candombl\u00e9, tudo o que fazemos est\u00e1 ligado ao alimento, seja alimento para a alma, seja alimento para o corpo. 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