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UNESCO – LISTA URGENTE DE SALVAGUARDA

07/11/2017

Sistema divinatório de Òrìsà / Idáàsà / Èrìndínlógún

SEIS (6) MESES 2017 INVENTÁRIO SOBRE PATRIMÔNIO CULTURAL INTANGÍVEL EM ÒYÓ

Todas as famílias tradicionais da cidade de Òyó estão preocupadas com a nomeação do Sistema Divinatório de Òrìsà, devido à sua importância nas práticas da vida diária. Este sistema de adivinhação é o mais antigo e mais importante para as famílias yorùbás.

As comunidades de Òrìsà são conhecidas como Sàngó, Yemoja, Oya, Òsun, Obàtálá, Òrìsà Oko, Èsù, Obalúayé, etc. e o Conselho Tradicional também se dedica a preservar este antigo sistema de adivinhação e conhecimento.

Além disso, Sua Majestade Imperial, Oba(Rei)Dr. Lamidi Olayiwola Adeyemi III, O Aláàfin de Òyó, Proeminente da Raça Yorùbá e Custodiante da Cultura Yorùbá, também está preocupado em preservar as práticas tradicionais dos Yorùbá, sendo o Èrìndínlógún uma das práticas mais utilizadas para a orientação diária das famílias e da comunidade em geral.

Este sistema tem sido também usado pelo Aláàfin de Òyó desde os tempos primordiais através de seus conselheiros espirituais, designado como o Sumo Sacerdote, Òndáàsà, que é responsável pelo bem-estar do rei, da família real e da cidade.

Na sociedade Yorùbá tradicional, o sistema de adivinhação de Òrìsà é usado pelas famílias tradicionais, e sua origem remonta aos tempos primordiais. É um sistema de adivinhação primordial e adivinhação filosófica, uma prática social, contendo um rico conhecimento oral. Também é conhecido como Idáàsà, que significa ìdá-òòsà, contagem de Òrìsà e também de Èrìndínlógún, que significa dezesseis.

O Èrìndínlógún é dividido em dezesseis categorias numéricas antigas conhecidas em Yorùbá como Ònkà àgbà. Cada uma acumula inúmeros ìtàn (histórias) como formas narrativas orais de histórias de famílias e cidades, entre outros conceitos culturais, que são registrados em forma de versos, formando um Compendium histórico, cultural e mitológico Yorùbá.

De acordo com relatos orais, antes da introdução das conchas como instrumento divinatório, pedaços de marfim, nozes e sementes eram utilizados nos tempos primordiais para representar as 16 categorias numéricas antigas.

A contagem das conchas que caem com a parte fechada voltada para cima na esteira, em comparação com o resto, determina a categoria numérica, antes de definir o ìtàn (histórias) a serem cantados.

O Ònkà àgbà segue essa ordem:

  1. àgbà Èkín-ní Òkànràn
  2. àgbà Èkejì Èjì Òkò
  3. àgbà Èketa Ògúndá
  4. àgbà Èkerìn Ìrosùn
  5. àgbà Èkarùn-un Òsé
  6. àgbà Èkefà Òbàrà
  7. àgbà Èkeèje Òdí
  8. àgbà Èkejo Èjì-Ogbè
  9. àgbà Èkèsàn-án Òtúá
  10. àgbà Èkwàá Òfún
  11. àgbà Èkokànlá Òwónrín
  12. àgbà Èkejìlá Èjìlá Asébora
  13. àgbà àgbà Èkín-ní Òkànràn àgbà
  14. àgbà àgbà Èkejì Èjì Òkò àgbà
  15. àgbà àgbà Èketà Ògúndá Àgbà
  16. àgbà àgbà Èkerìn Ìrosùn Àgbà

 

Sendo que as últimas quatro 13, 14, 15, 16 categorias não são cantadas, devido à sua antiguidade.

O conhecimento e as habilidades relacionadas ao elemento são transmitidos através da tradição oral, treinamento formal e aprendizagem. As famílias tradicionais também transmitem seus conhecimentos através de métodos não-formais, ao ensinar suas crianças masculinas e femininas a arte de adivinhação deixada por seus antepassados.

O treinamento começa muito cedo, aos cinco anos de idade as crianças aprenderão dos anciãos da família ou serão enviadas para outras famílias, que pertencem à mesma linhagem do Òrìsà ancestral de família, conhecidas como mestres. As crianças viverão com os membros idosos ou com seus mestres, ouvindo atentamente a interpretação dos anciãos sobre a adivinhação.

O treinamento consiste em ensinar, a usar e manipular o instrumento de adivinhação por si só; para aprender e distinguir as diferentes categorias numéricas e a memorização de versos, ensinados um a cada vez.

Depois de dominar uma série de versos em cada categoria numérica, a aprendizagem de suas interpretações seguirá antes da introdução aos rituais associados aos versos. É uma aprendizagem constante, e é um conhecimento bem codificado de geração em geração, sem a arte de escrever.

Esta aprendizagem oral consiste em repetir os versos até que seja memorizado e este processo ajuda a controlar a arte oral. O treinamento das crianças das famílias tradicionais representa um exemplo excepcional de resistência humana, devido à perseverança mental e psicológica necessária. Os membros idosos das famílias tradicionais de Òrìsà são os guardiões da cultura yorùbá.

As famílias tradicionais yorùbá acreditam que o sistema de adivinhação de Òrìsà veio do òrun (mundo espiritual), dado diretamente pelo Criador Supremo Olódùmarè ao Òrìsà Obàtálá, cujo conhecimento foi passado para outras divindades do panteão de Òrìsà Yorùbá, para apoiar a humanidade.

Este antigo sistema de adivinhação é visto como uma ponte para conectar a vida material ao domínio espiritual, e um veículo para se comunicar com o mundo ancestral, e ainda é fortemente praticado não só entre as famílias de Òyó, mas também entre outras famílias em outras cidades e Estados na terra yorùbá.

Apesar do colonialismo, a introdução de religiões estrangeiras, e a educação ocidental, as famílias yorùbá como Sàngó, Yemoja, Oya, Osun, Obàtálá, Òrìsà Oko, etc., entre outras, continuam a manter a prática deixada por seus antepassados, consultando semanalmente o próprio sistema de adivinhação da família de Òrìsà, para conectá-los à linhagem de seus antepassados, buscando conselhos, proteção ou solução em qualquer problema familiar, como a escolha de um parceiro de vida, um novo emprego ou problemas de vida conjugal, doença, nascimento de um novo filho, medo de morte, medo de inimigos, falta de esposa, falta de filhos e falta de dinheiro.

Além disso, o Conselho Religioso Tradicional, como Bálè Onísàngó, Bálè Olósun, Olorì Yemoja, entre outros, representam o interesse da cidade e estão envolvidos diariamente com a adivinhação para clientes, ou adivinhação pública quando a comunidade é afetada por um problema comum como a propagação de doenças, falta de chuva, etc, para que, em conjunto, cuidem do problema e procurem uma solução primeiro através do método tradicional de adivinhação, dando-lhes um senso de pertença e identidade, bem como manter a continuidade cultural viva, que permite que as pessoas preservem e transfiram a cultura deles.

Além disso, a estrutura política e religiosa das sociedades tradicionais Yorùbá é interligada e dependente do rei (OBA). A realeza na terra Yorùbá é o suporte ao sistema micro religioso tradicional de Òrìsà, que liga o Rei ao Òrìsà (divindade), conhecido como “Oba Aláàse Igbákejì Òrìsà”, que significa “o rei é o segundo dotado de autoridade depois de Òrìsà” O conceito teológico Yorùbá baseia-se na “delegação de autoridade” do Criador Supremo, Olódumàrè, ao Òrìsà (divindade), seguido pelo Oba.

Com base neste sistema tradicional de estrutura dominante, o Aláàfin de Òyó está envolvido como líder espiritual da comunidade.

O sumo sacerdote chamado Òndáàsà é designado a cada cinco dias para lançar o sistema divinatório èrìndínlógún de Òrìsà para o rei e a família real, sendo responsável pelo seu bem-estar.

O elemento é compatível com os instrumentos internacionais de direitos humanos existentes, bem como com o respeito mútuo entre as comunidades e com a igualdade de gênero, dando igual reconhecimento à educação, eliminando a desigualdade, reduzindo a discriminação entre classes sociais, reconhecendo e praticando a igualdade, eliminando complexos inferiores e superiores, respeitando o meio ambiente e protegendo a tradição das pessoas.

Publicado em PGCF – Paula Gomes Foundation, Facebook. Disponível em:

https://www.facebook.com/pgfoundation.oyo/posts/869927099851373

 

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